segunda-feira, 11 de junho de 2007

O sumiço da geladeira

Era para ter sido mais uma noite comum daquelas que, exausta, deitamos na cama e só acordamos no dia seguinte ainda com muito sono; mas não foi.

Estava calor, muito calor e no meio da noite levantei-me para tomar um copo de água geladinha.

Ainda meio dormindo, fui em direção à geladeira, meio perambulando e foi quando que, para meu espanto, ela não estava lá! A geladeira havia sumido! Mas como se antes de eu me deitar havia colocado as sobras do jantar que seria requentado no dia seguinte? Olhei para um lado, para o outro, acendi as luzes, mas nada. Ela simplesmente havia sumido.

Corri para o quarto e acordei meu marido: “Amor, a geladeira sumiu!”. Ele, não entendendo nada, disse para eu voltar a dormir que era um sonho. Mas não, eu estava bem acordada, até vi as teias de aranha que aquela maldita faxineira jurou “Arrastei tudo os móvel, viu D. Márcia, limpei tudinho!” Ai, se eu pego aquela tratante... Mas espera, a geladeira pobrezinha, onde estará? Será que ela foi raptada? Vou chamar a polícia.

“3ª DP, boa noite. Em que posso ajudar?”
“Boa noite, houve um rapto aqui em casa, moça.”
“É algum membro da família?” Então surgiu-me a dúvida: geladeira é um membro da família? Na dúvida respondi que sim e ela então me perguntou qual o grau de parentesco. Ah, ela já estava conosco a tanto tempo, foi presente de casamento da minha avozinha, bonitinha... “É minha filha.” Respondi meio que sem pensar e então a policial continuou: “Qual o nome dela, minha senhora?” Ah, essa era fácil, não precisei nem pensar: “Geladeira.” A moça então nesse momento deu uma risadinha meio sarcástica mas não entendi muito bem o porquê e continuou com o seu infindável interrogatório: quantos anos, o que vestia, quanto tempo fazia que eu não a via, se havíamos brigado, blá, blá, blá.

Finalmente após 273 perguntas, mais ou menos, ela disse que todas as viaturas já estariam alertas no caso de encontrar alguém com as descrições que eu lhe passei; agradeci e desliguei.

Estava mais aliviada, a polícia tomaria as precauções e a minha geladeirinha voltaria para casa sã e salva. Agora posso dormir.

No outro dia acordei e de repente todos os episódios da fatídica noite passada me retornaram a mente: não acredito!! Comecei a rir sem parar. Eu devia mesmo estar louca para ter tido um sonho como este. Com certeza é o stress.

Entrei na cozinha para preparar o café, olhei para a geladeira, alí, imóvel e comecei a rir novamente. Meu Deus, que loucura! De repente, enquanto tirava o pão da torradeira, uma voz fininha e trêmula por detrás de mim falou: “D. Márcia, a senhora me desculpa por ontem à noite, mas é que o fogão insistiu, e a senhora sabe como é que é...”

Beijooooosssssssssssss

Post em homenagem a Mariana!!! Ela gosta do que eu escrevo, gente!!! Mari, amo vc!!!!!!!!!! Bjo!!!!!!!